ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
PADRE GASPAR DE LOURENÇO (1535 -1597)
PADRE GASPAR DE LOURENÇO: FORMAÇÃO
Lourenço nasceu em 1535, na Vila Real de Traz os Montes, em Portugal. Essa região foi fundada em 1289, pelo foral do rei D. Dinis. Ela está situada na Região Norte e na atual sub-região do Douro. Situa-se num planalto cercado por várias montanhas, de onde se destacam a Serra do Marão e a do Alvão. Encontra-se a cerca de 460 metros de altitude. Atualmente é limitada ao norte pelos municípios de Ribeira de Pena e de Vila Pouca de Aguiar; ao leste, por Sabrosa; ao sul, pelo Peso da Régua; ao sudoeste, por Santa Marta de Penaguião; ao oeste, por Amarante e ao noroeste por Mondim de Basto. Vejamos no mapa onde se localiza hoje o distrito de Vila Real, em Portugal. Gaspar Lourenço chegou ao Brasil – Bahia – em 1550, com 14 anos de idade, onde foi educado pelos jesuítas. Por volta de 1553, entrou para a companhia de Jesus e se ordenou em 1560, com 25 anos de idade.
Quinze anos depois, em 1575, com quarenta anos de idade, fazia missão em Sergipe. Você deve atentar para a idade de Gaspar quando fazia missão em Sergipe, em 1575. Observe que a idade de quarenta anos pode revelar um missionário experiente em missões jesuítas no Brasil.
Lourenço foi um ajudante anônimo da construção, em 1554, da cabana (colégio) do Piratininga. Ele e outros neófitos auxiliaram os superiores, José Anchieta, por exemplo, na empreitada dessa fundação do pátio do Colégio Piratininga. O nome de Lourenço não aparece no catálogo em que Anchieta relaciona, em 1554, os jesuítas existentes nas quatro povoações compreendidas em toda a capitania de S. Vicente. De acordo com Almeida, a não inclusão foi proposital “pelo fato de, então, serem ambos ainda noviços da Companhia, entrado nela há um ano apenas e não Irmãos...” (ALMEIDA, 1954, p. 140). Ainda segundo Almeida, foi no Colégio Piratininga que Lourenço deu continuidade à sua formação iniciada com os jesuítas na Bahia. “De par com a prosperidade do Colégio e da Povoação”, - afirma Almeida – “nele floresciam a idade, a virtude e o saber requeridos para o sacerdócio que pretendia receber mais tarde” (Idem, p. 141). Um dos mestres do colégio Piratininga foi José Anchieta. Gaspar foi discípulo de Anchieta, provavelmente aos 18 anos de idade.
O APRENDIZADO COM JOSÉ DE ANCHIETA
Anchieta nasceu em 19 de março de 1534, em Tenifre, Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico. Anchieta foi estudar em Coimbra, Portugal, aos 14 anos de idade. Após estudar nessa cidade portuguesa, ingressou na Companhia de Jesus, em 1551. Fez o curso superior de Humanidades e tornou-se excelente latinista. Em 1553, emigrou para o Brasil em companhia do padre Luís Grã e outros seis noviços. Luiz Grã, posteriormente, ocupará o cargo de provincial dos jesuítas na Bahia, na ocasião em que o padre Gaspar Lourenço fará missão em Sergipe, no ano de 1575.
Anchieta foi protagonista ativo da fundação do Colégio Piratininga e de parte da educação dos neófitos, incluindo o jovem Gaspar, como acima nos referimos. Como os demais formadores dos novos jesuítas, Anchieta considerava importante aprender a língua tupi para introduzir o índio no mundo cristão. Mas, esse projeto de evangelização dos primeiros habitantes do Brasil não foi fácil quanto à tradução da língua Tupi.
O APRENDIZADO COM LEONARDO NUNES
Logo quando ingressou na Companhia de Jesus, Lourenço passou a dominar muito bem a língua tupi. Segundo Almeida “Já vinha se exercitando na pratica da língua da terra desde que chegara a Bahia, com os curumins de lá e, depois, em S. Vicente, com os filhos dos gentios que aí doutrinavam” (ALMEIDA, 1954, p. 141). Antes de ser ordenado jesuíta, tornou-se afamado intérprete da língua tupi, servindo a diversos padres e nas missões de Mem de Sá para expulsar os franceses do Brasil. São Vicente foi o local onde Lourenço mais aperfeiçoou o tupi e foi ali que ele contou com os incentivos do afamado padre Leonardo Dantas. A data de nascimento de Leonardo é ignorada pelos pesquisadores. Sabe-se que ele nasceu em Portugal, na Vila de S. Vicente da Beira, diocese da Guarda, e que ingressou no dia 6 de fevereiro de 1548, na Companhia de Jesus, no Colégio de Coimbra. Chegou ao Brasil por Thomé de Souza, em 1549, juntamente com outros cinco religiosos, entre os quais o próprio Manuel da Nóbrega, diretor da missão no Brasil. Chega a São Vicente com o jesuíta Diogo Jácome, em missão comandada por Nóbrega, com o objetivo de catequizar os índios e ao mesmo tempo trazer de volta para a religião o homem branco e o mestiço da povoação. Em São Vicente, Leonardo instalou um seminário que foi o primeiro colégio da povoação vicentina, onde ensinava latim e português, as normas eclesiásticas e o catecismo. Como Anchieta, aprendeu a falar o idioma tupi para poder comunicar-se com os gentios. Conforme Almeida, Leonardo abriu uma escola de formação religiosa onde acolheu “o menino órfão Gaspar Lourenço, matriculando-o como estudante, candidato ao sacerdócio consagrado às missões do Brasil”
No sítio Piratininga, Leonardo também participou efetivamente da fundação do colégio de formação dos novos jesuítas, onde se fazia presente o jovem Gaspar Lourenço.
CATEQUESE DO PADRE GASPAR DE LOURENÇO NA BAHIA (1560-1575)
Depois que o Governador Mem de Sá assumiu o Governo do Brasil (1557-1572), tomou novo incremento a catequese nos arredores da Bahia. Para a catequese, nessa localidade, necessitava-se de um grande número de “línguas”, “formados no espírito do devotamento à causa da evangelização dos silvícolas” . Na direção desse projeto de missão na Bahia, estava o novo provincial dos jesuítas, o padre Luis Grã. No começo de suas atividades percebeu a falta de “línguas” e oradores para a Bahia.
Na leva de novos missionários que chegavam à Bahia encontrava-se Lourenço, ainda não ordenado jesuíta. Na bagagem de Lourenço havia a larga experiência de formação adquirida desde a infância, sob a orientação dos primeiros missionários jesuítas do Brasil, os trabalhos entre os índios do litoral de São Vicente e do planalto de Campos de Piratininga, além dos três primeiros anos de convivência com os curumins na Bahia, ao chegar criança de Portugal. Retorna à Bahia como “língua” afamado e grande “orador” sacro. A pregação iniciava quando entrava nas aldeias, falando com voz alta, declarando aos índios a causa de sua vinda. Em muitas aldeias em que estabeleceu residência ensinou o tupi aos colegas de missão. Recebeu todas as ordens, menores e maiores, em 1560, na Bahia, do segundo Bispo do Brasil, D. Pedro Leitão. O responsável pelo retorno do padre Lourenço à Bahia foi o provincial padre Luis de Grã. Possivelmente sua primeira missa depois de ordenado tenha sido na aldeia do Espírito Santo, na Bahia. Segundo Almeida, foi na capela do Espírito Santo “o primeiro encargo que o padre Gaspar recebeu de seus Superiores, depois de elevado ao presbiterato” (ALMEIDA, 1953-1954). Permaneceu nesta capela até março de 1561, quando assumiu a tarefa de restaurar a Aldeia de S. João, com problemas de catequese dos indígenas. A aldeia de S. João foi assolada pelo flagelo da peste, em 1563, depois de dois anos da epidemia que proliferava em várias aldeias da Bahia. Também na aldeia S. João ocorreram inúmeras mortes de índios. Lourenço, missionário nessa aldeia, prestou inúmeros Lourenço não se limitava aos trabalhos de missão somente na aldeia de S. João. Deslocava-se, na maioria das vezes a pé, de um lugar para outro, do norte ao sul da Bahia, até à capitania de Ilhéus, ajudando seus colegas e o provincial Luis de Grã nas catequeses, nas missas e batismos solenes. Com o provincial Grã, fez infindáveis missões como um afamado “língua” e como experiente no manejo da entrada do sertão, na navegação dos rios e no trato com as resistências indígenas com a catequese. Uma prática de missão muito parecida com um dos seus primeiros mestres, o padre Leonardo Nunes. auxílios aos enfermos, inclusive trazendo um médico e enfermeiros.
Outra aldeia onde Lourenço trabalhou foi a de Santo Antônio, próxima ao rio Real, possivelmente a partir de 1568. Ele fora enviado a essa aldeia para o serviço de apaziguamento dos índios fugidos da escravidão e que se exilavam perto do rio Real. Segundo Almeida, “teria sido enviado, então, o padre Gaspar Lourenço, visando-se com essa medida prevenir outras consequências mais graves, dada a respeitosa estima e grande força moral que esse missionário desfrutava junto aos índios” (ALMEIDA, op. cit., p. 162).
A MISSÃO DE PADRE LOURENÇO EM SERGIPE
A missão de Lourenço em Sergipe somente começaria no ano de 1575, quando o provincial dos jesuítas na Bahia era o jesuíta espanhol Inácio de Tolosa (1572-1577). O novo provincial nasceu em Medina Celi, no ano de 1533, e ingressou na Companhia de Jesus em 25 de março de 1560. Chegou ao Brasil em 1572.
Principal responsável pela catequese indígena na Aldeia de Surubi, onde a redefiniu em Aldeia de Santo Inácio, Padre Gaspar de Lourenço iniciou em terras de Itaporanga a entrada da fé católica. Infelizmente, com ele veio a desconfiança da atuação dos portugueses. A fuga de alguns indígenas, então, incita uma "guerra justa" provida pelo Governador, resultando no grande conflito que cuminou com a morte do Cacique Surubi, a fuga de muitos indígenas e o aprisionamento de outros.
Faleceu em 9 de junho de 1597.
Fonte: Lourenço, primeiro missionário jesuíta em Sergipe. In: Temas de História de Sergipe I, apostila do CESAD-UFS.p.81-94.
Jesuítas em missão de catequese
Símbolo da Companhia de Jesus
Jesuítas em ação missionária
Jesuíta em ação de catequese