ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
JUAREZ PINHEIRO (1934 - 2023)
Juarez Pinheiro nasceu na vila de Itaporanga em 1934. Filho de José Pinheiro (Seu Zuca) e Maria Francisca Santos, desde pequeno Juarez acompanhou de perto as manifestações folclóricas que coloriam as ruas da pequena vila, que logo se tornaria cidade.
Aos cinco anos de idade, o pequeno Juarez já ajudava seus pais, que trabalhavam no antigo Matadouro municipal e buscando lenha na mata.
Seu José Pinheiro introduziu, por influência de sua mais nova companheira, a Chegança no município. Assim, assistindo as brincadeiras, Juarez foi tomando gosto e passou a brincar no grupo organizado pela companheira do seu pai. Cresceu dividido entre duas paixões: o ofício de marchante, que exercia como ajudante no pai, no Matadouro Municipal, aos sábados e no Engenho Escurial, aos domingos; e a ocupação de brincante folclórico.
Com apenas 13 anos se apaixonou por uma brincante da Chegança e quis morar com ela. O pai, dono de uma sabedoria antiga, não proibiu a união, mas deu restrições: recepcionou a nora dentro de casa, mas morar com ele e a esposa, enquanto Juarez e os irmãos passaram a morar em outra casa. Após um ano e quatro meses vivendo separado da amada, Juarez fez a exigência ao pai de ou morar com a mulher que amava ou sair à procura de outra. O pai aceitou os termos e a união entre Juarez e Marieta aconteceu.
Ainda na década de 1940, ambos começaram a brincar Reisado (Reisado Zé do Vale). Depois, foi também brincante de Lambe-sujos e Caboclinhos, grupo do qual foi rei; e Samba de Pareia (hoje Samba de Coco).
No Grupo Cacumbi - grupo cuja origem na cidade se deu por intermédio de José Firmino, morador de Laranjeiras, que de mudança para a cidade de Itaporanga, trouxe consigo a brincadeira e com a ajuda do prefeito Manoel Conde Sobral, que ajudou na compra de toda a vestimenta -, começou como gajeiro, depois foi batedor de pandeiro, tocador de caixa, contramestre.
Quando a idade começou a pesar, José Firmino vendo que seu filho não tinha a força necessária para dar continuidade ao grupo, ofereceu a Coroa ao contramestre Juarez. Seu Firmino ainda acompanhou o reinado de Juarez à frente do seu grupo por dois anos até falecer.
Aos 75 anos de idade e brincador de Cacumbi desde os 10 anos, Juarez Pinheiro confunde-se com a história do grupo. Ele lembra com carinho da época em que o falecido mestre José Firmino o ensinou, ainda menino, os primeiros passos da manifestação que trouxera de Laranjeiras para Itaporanga. Desde então, seu Juarez passou por todos os estágios dentro do grupo.
“Já fui gageiro, já toquei ganzá, pandeiro, já fui caixeiro, contramestre e, depois, virei o mestre”. O líder ressaltou ainda que o Verão Sergipe, evento da qual o grupo participa pela primeira vez, veio para equilibrar a falta de atenção que a manifestação recebe de seus próprios conterrâneos. “Geralmente o Cacumbi só tem prestígio com o pessoal de fora de Sergipe. Mas aqui é diferente. Agora temos espaço”, comemora.
[Trecho da entrevista dada por Juarez Pinheiro ao Portal do Governo do Estado por ocasião de sua participação no Verão Sergipe 2009]
Juarez Pinheiro faleceu em 14 de julho de 2023. Seu enterro quebrou protocolos, sendo acompanhado pelos dois grupos que coordenava – Cacumbi e Reisado – de sua residência, na Rua da Bica, até o Cemitério São Benedito, um ato que era um desejo do grande mestre.
Mestre Juarez a frente do Cacumbi - Verão Sergipe - 2009
Reisado Zé do Vale, do saudoso Mestre Juarez, no 50º Encontro Cultural de Laranjeiras
Marieta Pinheiro (falecida em 2018), primeira companheira do Mestre Juarez