ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
JOSÉ CLÁUDIO BARRETO SOBRAL (1950-2017)
José Cláudio Barreto Sobral foi Professor Emérito da Universidade Federal de Sergipe, ex-diretor e professor aposentado do Colégio de Aplicação da UFS, além de ter atuado como professor da rede pública de ensino do Estado de Sergipe. Educador dedicado e comprometido com a formação de gerações, construiu uma trajetória marcada pelo amor ao ensino, pela defesa da educação pública e pelo estímulo permanente ao pensamento crítico.
Nasceu em 20 de outubro de 1950, na cidade de Itaporanga d’Ajuda, Sergipe. Desde cedo trilhou o caminho do conhecimento, iniciando seus estudos no Colégio Felisbelo Freire. Posteriormente estudou no Colégio Jackson de Figueiredo, onde concluiu o 1º grau em 1966. Em 1969, concluiu o 2º grau no tradicional Colégio Atheneu Sergipense.
Movido pela curiosidade intelectual e pelo compromisso com a educação, ingressou na Universidade Federal de Sergipe, onde se formou, em 1976, no curso de Licenciatura em Geografia. No ano seguinte, ampliou sua formação ao concluir a especialização em Geografia Aplicada ao Planejamento, também pela UFS.
Iniciou sua carreira no magistério em sua cidade natal, lecionando as disciplinas de Geografia e Educação Física no antigo Ginásio Nossa Senhora D'Ajuda.
Em 1979 iniciou uma trajetória marcante no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe, onde lecionou Geografia e exerceu também funções de liderança. Foi vice-diretor da instituição e, entre os anos de 1997 e 1999, atuou como diretor, conduzindo a escola com dedicação e compromisso. Aposentou-se em 1999, deixando uma marca profunda na história do Colégio de Aplicação e na formação de inúmeras gerações de estudantes.
O reconhecimento por sua relevante contribuição à educação veio oficialmente em 2009, durante as comemorações do cinquentenário do Colégio de Aplicação, quando recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal de Sergipe, concedido pela Resolução nº 08/2009 do Conselho Universitário (CONSU).
O professor Cláudio — como carinhosamente era conhecido — não foi apenas um educador, mas um verdadeiro semeador de ideias. Dotado de aguçado senso crítico e grande sensibilidade intelectual, estimulava o debate, a reflexão e o compromisso com a transformação social. Em sala de aula e nos corredores da escola, encantava alunos e colegas com sua capacidade de provocar perguntas, despertar consciências e incentivar o pensamento livre.
Amante da música e da poesia, encontrava nas palavras uma forma de expressar suas inquietações, sonhos e convicções. Foi autor da canção “Salve Dois de Fevereiro”, eternizada na voz do cantor Roberto Alves, composta em homenagem à tradicional festa da padroeira Nossa Senhora d’Ajuda, no município de Itaporanga d’Ajuda, Sergipe. A obra revela sua sensibilidade artística e sua profunda ligação com a cultura e as tradições sergipanas.
Ao longo de sua trajetória, militou em diversas lutas no Colégio de Aplicação, na Universidade Federal de Sergipe e também na vida política sergipana, sempre guiado pela defesa da educação, da justiça social e da dignidade do trabalho.
Partiu deste plano em 30 de abril de 2017, na véspera do Dia do Trabalhador — data simbólica para alguém que sempre acreditou na força e no valor daqueles que constroem a sociedade com seu trabalho e suas ideias.
Mais do que lembranças, o professor Cláudio deixou sementes: sementes de pensamento crítico, de compromisso social e de amor pela educação. Essas sementes continuam vivas em cada aluno, colega e amigo que teve o privilégio de compartilhar de sua presença e de seu legado.
Início da carreira, como professor.
Professor José Cláudio Barreto Sobral
a paixão pela música nos momentos de lazer
momento com a família
SALVE 2 DE FEVEREIRO
Salve 2 de fevereiro
Dia de Nossa Senhora
Que ajuda todo mundo
Mesmo que não pede e chora
24 de Janeiro
Começa o novenário
Primeiro vêm as crianças
Depois os funcionários
Tem a noite dos casados
E dos jovens extraordinários
E por fim vêm as coroas
Para encerrar o rosário
Na feira tem de tudo
De barca a Carrossel
Mané Gildo e Fura Tudo
Bancam para os tabaréus
A moçada sapateia
Nos forrós da redondeza
E no baile lá da sede
Diz que só entra a nobreza
Finalmente dia 2
Que é o dia da procissão
Todo mundo roupa nova
Engravatado ou não
A moçada sorridente
Para essa grande paquerada
Mas o que se tem de Fé
É muito pouco ou quase nada
(José Cláudio Barreto Sobral)