ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D'AJUDA - CURADORIA: PROFESSOR ROBSON MISTERSILVA
BARÃO DE LARANJEIRAS (1819 - 1889)
Felisberto de Oliveira Freire nasceu em 12 de maio de 1819, no Engenho Belém, situado na Freguesia e Vila de Itaporanga. Era filho do tenente-coronel Luís Francisco Freire e de Adriana Francisca Freire. Seguiu a carreira militar, alcançando também o posto de tenente-coronel.
Casou-se com Maria Cândida de Sousa Bastos — falecida em 20 de agosto de 1905, filha do capitão Francisco Manuel de Souza Bastos e de Joaquina Perpétua do Amor Divino —, que viria a tornar-se baronesa de Laranjeiras.
Com a morte de seu pai, Felisberto tornou-se herdeiro dos engenhos Belém, Piabussu, Jerusalém e Roma, todos localizados às margens do rio Vaza-Barris.
Durante o Império, a Constituição de 1824 estabelecia, em seu artigo 102, entre as atribuições do imperador, “o direito de conceder títulos, honras, ordens militares e distinções como recompensa dos serviços feitos ao Estado” (SCHWARCZ, 1998, p. 247). A busca por títulos nobiliárquicos, frequentemente por indivíduos já detentores de poder econômico, tinha como principal objetivo a ostentação e a reafirmação de prestígio social, além da aproximação com a corte imperial e da obtenção da proteção do Imperador.
Segundo Schwarcz (1998, p. 267), com o passar do tempo, a concessão de títulos tornou-se cada vez mais onerosa. O decreto de 1879 fixava valores elevados para as chamadas cartas de mercê: o título de duque custava 2:450$000 (dois contos e quatrocentos e cinquenta mil-réis); o de marquês, 2:020$000; o de conde, visconde com grandeza e barão com grandeza, 1:575$000; o de visconde, 1:025$000; e o de barão, 750$000. A carta de brasão de armas custava 170$000. Também havia cobrança para o título de conselheiro e para os tratamentos de Excelência e Senhoria.
Dom Pedro II buscava consolidar a política de centralização do Império, encontrando, na concessão de títulos nobiliárquicos, um instrumento estratégico, especialmente em meio à crise do comércio açucareiro. Por meio dessas concessões, o Imperador exercia maior controle sobre o individualismo dos senhores de engenho, estabelecendo uma relação de troca: os proprietários prestavam serviços ao Estado e, em contrapartida, alcançavam maior visibilidade e projeção política por meio dos títulos recebidos (NUNES, 2006, p. 49).
Conforme consta no Ato do Governo Imperial, preservado no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Felisberto de Oliveira Freire foi nomeado, em 1870, chefe do Estado-Maior do Comando Superior da Guarda Nacional da capital, dos municípios e das armas da Província de Sergipe. A Carta Patente, datada de 16 de novembro de 1870 e assinada por Dom Pedro II, oficializa sua nomeação ao posto de tenente-coronel, assegurando-lhe as honras, privilégios e prerrogativas inerentes ao cargo.
O título de barão foi-lhe concedido posteriormente, em 29 de fevereiro de 1872, conforme registrado no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e da Capital da Província do Rio de Janeiro (1873). Tornou-se, assim, o primeiro e único Barão de Laranjeiras — grafia da época: “Laranjeira” —, título concedido por decreto de Dom Pedro II, provavelmente de origem toponímica, em referência à cidade sergipana de Laranjeiras.
Em carta datada de 24 de fevereiro de 1885, endereçada a João Dantas Martins dos Reis, o Barão de Laranjeiras solicitou apoio para a criação de uma cadeira de Francês e outra de Música na Escola Normal, demonstrando interesse pelas iniciativas educacionais da província.
Felisberto de Oliveira Freire faleceu em 20 de janeiro de 1889, 34 anos após a transferência da capital da província. À época, era tradição entre as famílias abastadas o sepultamento no interior das igrejas, “aos pés do altar”, como forma de distinção social e de proximidade simbólica com o sagrado. O Barão foi sepultado na Capela São Francisco.
Entretanto, em razão de seu posicionamento favorável à mudança da capital de Sergipe para Aracaju, efetivada em 17 de março de 1855, parte da população, inconformada, invadiu a capela e destruiu sua lápide. Desde então, o local exato de seus restos mortais permanece sem identificação, episódio que se incorporou à memória histórica local.
Entre seus legados, destaca-se a doação de um órgão à Matriz de Laranjeiras, provavelmente em cumprimento a uma promessa feita ao Sagrado Coração de Jesus. No instrumento, há uma placa com a seguinte inscrição: “O Barão de Larangeiras offerece a Matriz da cidade de seo título”, preservando a grafia original da época.
Sobrado, em São Cristóvão, que pertenceu ao Barão de Laranjeiras.
Felisberto Freire, Barão de Laranjeiras. Tio de Felisbelo Freire, primeiro historiador de Sergipe.
Lápide do Barão de Laranjeiras, localizada no interior da Capela de São Francisco, em São Cristóvão. A lápide foi depredada por populares insatisfeitos com a opnião favorável do barão à Mudança da capital, ocorrida 34 anos antes de sua morte.
Órgão localizado na Igreja Matriz de Laranjeiras, uma doação do Barão de Laranjeiras. A raíz musical na família Freire remonta a este período.